Com certeza a volta da banda Dead fish ao Recife nos trouxe muitas alegrias. Faz aproximadamente 2 anos que a banda não nos dava o ar de sua graça, mas valeu a pena esperar. Com um show repleto de surpresas, com músicas novas e sucessos marcantes. Dead fish brilhou no palco recifense como uma estrela, graças à união das produtoras VirtueMúsica e Sonora Produções. O evento também trouxe uma outra banda de fora, que foi a Maguerbes, de São Paulo. Mas estrelas pernambucanas também iluminaram a noite, como Bon Vivant, que fez um couver da banda Strokes simplesmente perfeito, e a Pump que mostrou que rock também é coisa de menina. Em cada banda havia um diferencial. A banda Hady com seu Hardcore Alternativo, a Dillema com seu Hardcore Melódico. Quem não foi, perdeu.
Mas está ai a entrevista que o vocalista Rodrigo e o baterista Nô concederam ao A La Cultura.
A La cultura - A banda tem quanto tempo de carreira? E por que o nome Dead fish?
Nô – Temos 17 anos de estrada. Sim, é verdade. A gente se chamava Stage Dive em 93 e tinha umas 5 bandas com esse nome, ou parecido e a gente resolveu mudar. E cada um deu um nome e eu lembro o nome que dei foi “Bastards Aleluia”, que eram uns meninos de dreads lá de BH que queriam colocar esse nome na banda e aí foi no papelzinho. E acabou saindo o nome que o Marcel, antigo guitarrista sugeriu: Dead Fresh Fish. Mas a gente achou grande e ficou Dead Fish mesmo.
A La cultura - Vocês têm algum projeto paralelo?
Nô - Nós não optamos por ter projetos paralelos, pois Dead fish já toma muito do nosso tempo. A gente tinha o Projeto Peixe Morto, que eram algumas músicas que não colocávamos nos CD’s do Dead e que disponibilizavamos na internet, fora isso não temos nenhum outro projeto.
A La Cultura - Quais são as suas influências?
Rodrigo – Acho que são quase as mesmas de 17 anos atrás com um pouquinho mais de Tim Maia, Roberto Carlos, que fui recuperando o gosto depois de velho. Mas definitivamente é skate punk, punk rock, hardcore californiano dos anos 80, 90.
A La Cultura – O que vocês acham sobre rótulos?
Rodrigo - Eu acho que é uma moeda de dois lados. É fácil você rotular uma pessoa. As pessoas compram rótulos baratos. O João Gordo jogou isso no ar e a galera acatou, mas eu acho que esses velhos têm medo dessa galera tomar seus lugares, roubar seus empregos em São Paulo, pois a garotada toca bem. Eu não vou ficar falando mal do emo, mas eu, particularmente, não gosto.
A La Cultura – Como vocês acham que os jovens de hoje estão tratando a política brasileira?
Nô – A política tá de mal a pior. A meninada que não quer se envolver com a política, que não quer se engajar, devia trabalhar na conservação do planeta e retardar os danos que estamos causando a ele. Acho que para o jovem, é melhor pedir para ele cuidar da praia, conserva seu meio ambiente, do que ficar olhando se o político está trabalhando ou não.
A La Cultura – Vocês ainda têm algum objetivo a alcançar?
Nô – Quando a gente montou a banda, queriamos mudar o mundo, mas agora a gente viu que não dá. Depois que você cresce, não tem mais os seus 17, 18 anos você vê que isso não vai rolar. Quando a gente chega a esse estágio da vida, começamos a querer mudar o individuo, fazer uma mudança pessoal na cabeça de cada um, e não a mudança geral. O povo está cheio de revolução em massa.
A La Cultura - Qual é a visão de vocês sobre religião?
Nô - Cada um na banda tem sua visão particular sobre isso, mas eu não gosto de entidades que representam Deus. Um exemplo é Igreja Bola de Neve. Eu acho que tudo isso só serve para encher de dinheiro o bolso do pastor.
Rodrigo - Eu sou ateu, meu pai é ateu. Meu avô também devia ser ateu, pois ele lutou na guerra, e geralmente quem vai pra guerra não acredita em um Deus. Eu só fiz crisma porque minha avó era muito católica.
A La Cultura - Por que o Hóspede saiu da banda?
Rodrigo - A Nossa formação de quatro integrantes está muito massa, e eu acho que a gente já não se dava tão bem para eu estar falando mal dele. Mas eu não gosto de jovens que tem a juventude à flor da pele. Já estou velho, 35 anos.
A La Cultura - O que você acha sobre a cena musical brasileira?
Rodrigo - Ótima! Eu acho que o Brasil tem que ter de tudo, e é necessário isso. A gente, por muito tempo ficou a mercê de uma mídia em massa que imbeciliza. Acho que até a população mais pobre tem acesso a informação. Se eles escolheram músicas sem conteúdo para ser o hit da vida deles, o problema não é meu.
Com certeza a banda estava em sua melhor sintonia. A cada pergunta que fazíamos, um dos meninos passava e falava com um tom de voz bem irônico. “É tudo mentira!”
E logo nós, que estávamos nervosos, por se tratar de uma banda gostávamos e admirávamos por muito tempo, caiamos no riso.
Sem sombra de dúvidas ficará na memória.
Agradecimentos:
João – Bon Vivant
Dead fish
Hady
Pump
SATED PE
Agenda Cultural
Comunicado:
Queríamos pedir desculpas a todas as pessoas que acreditam no nosso trabalho. Por causa de problemas internos demoramos muito a postar essa entrevista. Já com tudo resolvido, nossa obra está ai.
Mil desculpas e obrigado a todos!
Seja bem vindo Tiago Silva!!